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	<title>bugflux.org &#187; society</title>
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	<description>André Prata, nDray</description>
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		<title>o sonho premiano</title>
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		<pubDate>Tue, 19 Oct 2010 17:47:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>nDray</dc:creator>
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		<description><![CDATA[é cada vez mais comum ver pelo mercado fora promessas de grandes aplicações e inovações com a realização de concursos. basicamente a ideia é uma samsung, por exemplo, lançar um desafio de desenvolvimento de algo inovador contra a possibilidade de &#8230; <a href="http://bugflux.org/blog/1408:o-sonho-premiano/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>é cada vez mais comum ver pelo mercado fora promessas de grandes aplicações e inovações com a realização de concursos. basicamente a ideia é uma samsung, por exemplo, lançar um <a title="samsung smart tv challenge" href="http://www.samsungsmarttvchallenge.eu/" target="_blank">desafio de desenvolvimento de algo inovador</a> contra a possibilidade de ganhar um prémio de algumas centenas de milhar de euros. geralmente todas as candidaturas estão sujeitas a regras, de entre as quais o facto de a empresa ficar com os direitos sobre a aplicação, ou obrigar a que seja livre.</p>
<p>para o público isto é óptimo. é a garantia de que certamente surgirá algo novo, bom, e ilusão de que o prémio está ao alcance de todos. isto é o sonho americano. a falsa promessa das políticas de direita e do esforço pessoal em vista de um futuro bom. o problema é que estamos perante um ídolos. o sonho não está ao alcance de todos, apenas de um. no entanto todos os outros se esforçaram e devotaram o mesmo tempo e dedicação, apenas não tiveram sorte, e ficaram na miséria.</p>
<p>não está à vista?</p>
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		<title>no ar</title>
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		<pubDate>Mon, 04 Oct 2010 20:28:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>nDray</dc:creator>
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		<description><![CDATA[algo que ficou por expandir no último post, e algo de interesse para quem gostou desta performance do derren, especialmente a adivinhação do nome do primeiro namorado da rapariga. para ele adivinhar só nos ocorrem 2 coisas: ou ele já &#8230; <a href="http://bugflux.org/blog/1389:no-ar/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>algo que ficou por expandir no <a title="depois da vida @ bugflux.org" href="/?p=1337" target="_self">último post</a>, e algo de interesse para quem gostou desta <a title="derren brown - lying game @ youtube.com" href="http://www.youtube.com/watch?v=LWtr-0QKnhc" target="_self">performance</a> do derren, especialmente a adivinhação do nome do primeiro namorado da rapariga. para ele adivinhar só nos ocorrem 2 coisas: ou ele já sabia, ou a rapariga é actriz e foi paga para dizer &#8220;price&#8221;. nenhum dos dois! ele não sabia, e ela não é actriz, mas ambos agiram como tal: ele já sabia e ela não disse a verdade!! mais concretamente ele usou truques para fazer com que ela dissesse &#8220;price&#8221;, mas convicta de que era mesmo esse o nome, como que por hipnose (que por acaso também usou)! no fim de ler isto é mais fácil perceber, possivelmente.</p>
<p><span id="more-1389"></span>antes de avançar é preciso ter em conta que muita gente considera derren brown uma farsa, que usa actores, etc, etc. pessoalmente acredito que grande parte, senão tudo, do que faz é real, e acredito nisso depois de ver e entender as coisas em causa. neste caso particular seria muito difícil ter actores a participar, uma vez que a selecção das pessoas que sobem ao palco foi feita atirando um boneco, o que não é muito comum de se ver em espectáculos do género e que me dá uma sensação segura de aleatoriedade nas escolhas.</p>
<p>a detecção de mentiras na primeira parte do clip (que por acaso são dois vídeos, para quem não se deu ao trabalho de ver o segundo ao lado) está explicada, trata-se de simples leitura de sinais e de expressão corporal, que ele próprio vai descrevendo. mais sobre as técnicas envolvidas:</p>
<p>surgiu há um par de décadas uma nova aproximação à psicoterapia, por <a title="richardbandler.com" href="http://www.richardbandler.com/" target="_blank">richard bandler</a> e <a title="johngrinder.com" href="http://www.johngrinder.com/" target="_blank">john grinder</a>: <a title="neurolinguistic programming @ wikipedia.org" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Neuro-linguistic_programming" target="_blank">programação neurolinguística</a>. aceite e igualmente rejeitada por muitos, esta &#8220;ciência&#8221; fazia já parte (ainda sem nome) das práticas de milton eriksson, e surge como um estudo dos padrões de raciocínio e de pensamento da mente humana.</p>
<p>muito do que antes eram vários anos de sessões terapêuticas fica com a pln reduzido a vários minutos. os autores/praticantes não estão preocupados em perceber exactamente como nem porquê, mas apenas na prática e na experimentação de algumas técnicas básicas, com muito ênfase na linguística do terapeuta. por não ter suporte teórico, a prática é pouco aceite e talvez mesmo condenada, mas são muitos os casos de sucesso. são instrumentos muito poderosos para a compreensão, comunicação e mesmo manipulação das pessoas, daí a aplicação em psiquiatria e psicologia, mas mais exuberantemente nos espectáculos de derren brown.</p>
<p>já toda a gente ouviu falar deste truque:</p>
<ol>
<li>escreves &#8220;vermelho&#8221; e &#8220;martelo&#8221; num papel.</li>
<li>chegas ao pé de uma pessoa, já com esse papel na mão, e pedes que faça algumas operações matemáticas.</li>
<li>pedes que indique o mais rapidamente possível: uma cor e uma ferramenta.</li>
<li>grande parte das pessoas indica as duas escritas, as restantes indicam uma das escritas e muito poucas pessoas indicam algo diferente do inicialmente esperado, pelo que podes surpreendê-las ao mostrar o que tinhas escrito!</li>
</ol>
<p>seria importante saber se a indicação daquelas duas escolhas em detrimento de quaisquer outras está de alguma forma relacionada com o cálculo matemático. possivelmente seriam as mesmas escolhas se a pessoa fosse imediatamente questionada sem nenhum &#8220;tratamento&#8221; prévio, mas não tenho personalidade para ir à rua testar as pessoas nesse aspecto.</p>
<p>os espectáculos de derren brown usam e abusam destes preconceitos e o que se torna fantástico no que faz é que se entrega às probabilidades, mas traz na manga várias alternativas caso a primária não seja a escolhida. claro que, apesar de tudo, não usa as probabilidades com distribuições uniformes. distorce-as ao máximo a seu favor, e usa a (programação neuro)linguística para influenciar as escolhas das pessoas. vejam-se <a title="derren brown - subliminal message card @ youtube.com" href="http://www.youtube.com/watch?v=0soGZpODgPY" target="_blank">estes</a> <a title="derren brown - subliminal message @ youtube.com" href="http://www.youtube.com/watch?v=QTTbDy3AZ9A" target="_blank">vídeos</a>! note-se que é menos provável que funcione em pessoas pouco fluentes em inglês&#8230; o segundo vídeo ele explica no fim, mas fica a descrição do primeiro, segundo a segundo:</p>
<blockquote><p><strong>00:05:</strong> <span style="font-style: normal;">não tentes adivinhar antes do tempo! o mesmo acontece com o martelo e o vermelho: se as pessoas pensam demasiado, tendem a fabricar algo fora do comum, em vez de <span style="text-decoration: underline;">aceitar as mensagens subliminares</span> transmitidas.</span></p>
<p><span style="font-style: normal;"><strong>00:08:</strong> &#8220;imagina a cor brilhante e vívida!&#8221; em princípio isto faz-nos pensar em cartas vermelhas, e não nas pretas. mas note-se ainda nas mãos. da primeira vez não deves ter reparado, mas olha como ele te enche o ecrã/visão com a <span style="text-decoration: underline;">forma de um diamante</span>!! escolhes ouros!</span></p>
<p><span style="font-style: normal;"><strong>00:12:</strong> &#8220;pensa num número&#8221;. dá-te tendência a pensar em números em vez de cartas com desenhos. mais, repara nos <span style="text-decoration: underline;">3 dedos</span>, dispostos na vertical, e o discurso: &#8220;boom, boom, boom&#8221;. <span style="text-decoration: underline;">3 booms!</span></span></p></blockquote>
<p><span style="font-style: normal;">de longe mais interessante do que os truques de cartas é <a title="derren brown birthday trick @ youtube.com" href="http://www.youtube.com/watch?v=befugtgikMg" target="_blank">este</a> truque que demonstra ainda melhor os poderes da sugestão linguística e visual. depois deste vídeo, absolutamente nada mais a explicar. </span>se restarem suspeitas acerca destas técnicas é só começar a ler bandler e grinder&#8230;</p>
<p><span style="font-style: normal;">geralmente os mágicos fazem um esforço para manter as pessoas sem perceber o que raio se passa ou como conseguiu um efeito. o mágico eleva-se e chama completo idiota a cada indivíduo do público. já derren brown, com um esforço pornograficamente maior, inclui o público no espectáculo e transfere para ele, com estas técnicas, as maravilhas do desconhecido, o que é muito mais divertido e exótico.</span></p>
<p>impossível não adorar, e o <a title="channel4.com" href="http://www.channel4.com/" target="_blank">channel4</a> está carregado de excelentes programas dele. espero que não acabem, como o <a title="balls of steel @ channel4.com" href="http://www.channel4.com/programmes/balls-of-steel" target="_blank">balls of steel</a> (esse sim, uma farsa)&#8230;</p>
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		<title>depois da vida</title>
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		<pubDate>Sat, 31 Jul 2010 20:45:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>nDray</dc:creator>
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		<description><![CDATA[este é o título do programa da tvi, um pouco mais do que cor de rosa. ao que consta consiste num espaço de contacto com os falecidos, por intermédio da senhora anne germain. este é um tema que me suscita &#8230; <a href="http://bugflux.org/blog/1337:depois-da-vida/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>este é o título do <a title="depois da vida @ tvi.iol.pt" href="http://www.tvi.iol.pt/pag_fsc.html?id=3837" target="_blank">programa da tvi</a>, um pouco mais do que cor de rosa. ao que consta consiste num espaço de contacto com os falecidos, por intermédio da senhora <a title="annegermain.co.uk" href="http://www.annegermain.co.uk/" target="_blank">anne germain</a>. este é um tema que me suscita muito interesse, e tem duas faces. uma que sempre me cativou muito, curioso de todas as ciências; e outra que sempre me revoltou, exposto a todas as trapaças. querendo ser das pessoas com a mente mais aberta para estas questões, quero com este texto apenas explicar que poderes como os demonstrados no programa são muito fáceis de falsear. no caso da tvi não há quaisquer dúvidas da falsificação, que é até muito pobre.</p>
<p>esta trapaça não passa de uma ciência a que se dá o nome de <a title="cold reading @ youtube.com" href="http://www.youtube.com/watch?v=Xswt8B8-UTM" target="_blank">leitura fria</a>. com a quantidade de treino apropriada, virtualmente qualquer pessoa pode dominar esta arte, e tornar-se num habilidoso leitor de mentes, ou comunicador com os mortos. posso resumir esta ciência em 3 partes principais, que levam pessoas mais susceptíveis a deixar-se enganar pelo que ouvem. vou usar como caso de uso o programa da tvi, como exemplos de sucesso o mentalista <a title="derrenbrown.co.uk" href="http://derrenbrown.co.uk/" target="_blank">derren brown</a>, e como referência científica algumas personalidades aleatórias.</p>
<p><span id="more-1337"></span></p>
<p style="text-align: center;">&#8230;</p>
<p><strong>afirmações de barnum</strong>: <a title="phineas barnum @ wikipedia.org" href="http://en.wikipedia.org/wiki/P.T._Barnum" target="_blank">phineas barnum</a> observou um dia que &#8220;temos algo para todos&#8221;. o que ele queria dizer com esta afirmação é que num conjunto de pessoas, incluindo o universo, é possível encontrar um termo comum a todas. esse termo comum pode ser específico ao ponto de todos acharem que foi especificamente detalhado sobre si, sendo na verdade uma coisa generalizada. isto é uma ferramenta usada para fraudes como a astrologia, e a arte de ler mentes.</p>
<p>em 1948 o professor <a title="bertram forer @ wikipedia.org" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Bertram_Forer" target="_blank">bertram forer</a> fez uma <a title="forer's effect @ wikipedia.org" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Forer_effect#Forer.27s_demonstration" target="_blank">experiência</a>:</p>
<blockquote><p>disse aos seus alunos que iria fazer uma leitura individual das suas personalidades, com base nos resultados dos testes de avaliação. cada aluno teve a oportunidade de classificar o grau de sucesso dessa leitura. o professor conseguiu uma cotação média de 4.26, numa escala de 0 a 5. de facto o professor devia ser muito bom a interpretar as personalidades com base nas respostas dos testes, excepto o facto de que a leitura que fez não foi individual, mas a mesma para todos.</p></blockquote>
<p>o mesmo texto conseguiu descrever com aparente especificidade a personalidade de dezenas de pessoas com um grau de confiança de 85%. derren brown fez exactamente o mesmo <a title="derren brown forer's effect @ wikipedia.org" href="http://www.youtube.com/watch?v=btP_vy5cQq4" target="_blank">teste</a>:</p>
<blockquote><p>com base num objecto pessoal de alguém e no contorno da sua mão desenhada numa folha, conseguiu fazer uma leitura específica de indivíduos na inglaterra, estados unidos, e espanha. um deles anunciou uma eficácia de 99% na leitura da sua personalidade, e muitos indicaram também 80 a 90%. mais uma vez, o texto foi o mesmo para todos, e escrito meses antes de sequer ter contacto com quaisquer objectos ou imagens.</p></blockquote>
<p>a minha mãe viu o último &#8220;depois da vida&#8221;, e contou-me que num dos casos a senhora afirmou que a morte de alguém suscitou uma enorme revolta. trata-se uma verdade que abrange muita gente! se eu me dou ao trabalho de ir ao programa para ter contacto com alguém que perdi, é seguro dizer que essa perda foi trágica, e me causou revolta. não existe um ente querido que morra justamente. anne germain contava também que uma menina teria queimado uma refeição. parecendo isto uma coisa muito específica, é na verdade muito comum. qualquer pessoa que cozinhe com regularidade já deixou queimar uma refeição. se o evento tiver sido recente, o efeito dessa afirmação é muito poderoso; se tiver sido apenas uma torrada há um ano terá menor impacto, mas não deixa de ser uma verdade!</p>
<p style="text-align: center;">&#8230;</p>
<p>o que leva à segunda parte, a <strong>susceptibilidade</strong>. uma boa parte da nossa personalidade, especialmente nestes temas muito susceptíveis à experiência de cada um, tem tendência a filtrar partes irrelevantes, e a encontrar sentido específico em aspectos vagos. neste exemplo do contacto com os mortos, a tarefa de um medium está simplificada porque este é chamado a falar com mortos, e todas as pessoas presentes vêm já há várias semanas a pensar nas pessoas que perderam.</p>
<p><a title="michaelshermer.com" href="http://www.michaelshermer.com/" target="_blank">michael shermer</a> <a title="strange beliefs @ ted.com" href="http://www.ted.com/talks/michael_shermer_on_believing_strange_things.html" target="_blank">afirma</a> e <a title="the pattern behind self deception @ ted.com" href="http://www.ted.com/talks/michael_shermer_the_pattern_behind_self_deception.html" target="_blank">defende</a> que o homem tem tendência a acreditar em coisas estranhas. tal acontece como forma de instinto básico de sobrevivência, e algo que nos permitiu evoluir enquanto espécie. a nossa capacidade de encontrar associações e padrões, mesmo quando não existem, foi desde cedo uma ferramenta que nos permitiu tomar decisões seguras em momentos críticos:</p>
<blockquote><p>um roçar de arbustos numa selva pode ser só o vento ou pode ser um predador. chama-se padrão à associação entre o roçar de arbustos e a presença de um predador, pelo risco que este apresenta. seja qual for o caso, a opção mais segura é sempre assumir que se trata de um predador pois, assumindo o vento, estamos condenados no caso de estarmos errados. assim o homem, bem como muitos outros animais, desenvolveu esta capacidade de encontrar padrões em tudo o que o rodeia. ou melhor: os homens que tinham esta capacidade desenvolvida levaram a melhor! =)</p></blockquote>
<p>no entanto esta capacidade de encontrar relação causa-efeito encontra muitas vezes o seu extremo, a que chamamos de superstição. a superstição é o que nos leva a encontrar imagens de cristo em torradas. derren brown <a title="trick or treat s02e06 part1 @ youtube.com" href="http://www.youtube.com/watch?v=IDi2NlsA4nI" target="_blank">demonstrou</a> este conceito de uma forma muito simples, e ao mesmo tempo absurda, com base na <a title="pigeon's superstition @ wikipedia.org" href="http://en.wikipedia.org/wiki/B._F._Skinner#Superstition_in_the_pigeon" target="_blank">experiência</a> de <a title="burrhus skinner @ wikipedia.org" href="http://en.wikipedia.org/wiki/B._F._Skinner" target="_blank">burrhus skinner</a>.</p>
<blockquote><p>um molho de pessoas é encurralada numa sala, que pensavam ser uma festa. fechadas as portas surge um painel a informar de que devem concluir 100 pontos em 30 minutos para que as portas se abram, e outro a dizer que ao abrir as portas, ganham 500 libras, visíveis do outro lado da porta (motivação!). na sala existe um conjunto de objectos espalhados, os contadores são zerados, e a experiência começa.</p>
<p>os intervenientes começam-se a questionar como será que pontuam, e à medida que interagem entre si e com os objectos na sala, tentam encontrar uma relação entre as acções que tomam e o efeito no contador. no entanto chega-se ao ponto em que as suas acções são completamente absurdas, e causam muito entretenimento aos espectadores.</p>
<p>completamente absortos pela tarefa de encontrar os padrões que dão pontos, não reparam no painel que, desde o início, informa que as portas são destrancadas ao fim de 5 minutos e, se saírem, ganham 30 mil libras cada um.</p></blockquote>
<p>na verdade os pontos eram incrementados sempre que um dos peixes num aquário rectangular passasse uma risca central. isto demonstra claramente que a capacidade de procurar padrões em tudo por vezes leva o indivíduo a alhear-se da racionalidade, e a acreditar nas coisas para as quais num dado momento encontram sentido.</p>
<p>isto demonstra claramente que é possível encontrar certos truques de linguística, ou simples sociologia, que nos permitem proferir afirmações para as quais é fácil uma pessoa encontrar significado, que parece muito específico, apesar de ser inicialmente muito genérico (ruído!). desafiei a minha mãe a questionar-se neste caso do sentimento de revolta, relativamente à morte mais recente que ocorreu na família. inicialmente disse que não sentia qualquer tipo de revolta pelo acontecido, apesar de ter sido uma perda muito sentida, e trágica, mas passado um ou dois minutos tinha já encontrado 2 ou 3 situações que suscitaram uma enorme revolta aquando da perda.</p>
<p>aquilo que inicialmente parece descabido, com um pouco de reflexão adapta-se à nossa realidade de uma forma muito intensa. somos nós que criamos sentido particular para uma afirmação que não passa de algo muito genérico. pior do que isto é a facilidade com que se esquece uma série de afirmações sem nexo se finalmente surgir uma que parece fazer todo o sentido.</p>
<p style="text-align: center;">&#8230;</p>
<p>como se isto não bastasse, e os artistas não tivessem já ferramentas suficientes, a talvez mais poderosa de todas, é a <strong>expressão </strong><strong>corporal</strong>. uma parte importante da leitura fria consiste em determinar se as afirmações proferidas são verdadeiras ou falsas, qual o efeito que têm no sujeito, e para onde seguir a partir daí. sem que nos apercebamos, o nosso corpo está constantemente a deixar escapar informação. a forma dessa fuga não é exacta nem universal que permita a utilização do polígrafo, mas para um mesmo sujeito é relativamente constante. derren brown é um exímio detector de mentiras, como se pode ver nesta <a title="derren brown lying game @ youtube.com" href="http://www.youtube.com/watch?v=LWtr-0QKnhc" target="_blank">performance</a>.</p>
<p>não é verdade para todos os casos, mas os <a title="neuro linguistic programming search results @ amazon.co.uk" href="http://www.amazon.co.uk/s/ref=nb_sb_noss?url=search-alias%3Daps&amp;field-keywords=neuro+linguistic+programming&amp;x=0&amp;y=0" target="_blank">livros</a> de <a title="neuro linguistic programming @ wikipedia.org" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Neuro-linguistic_programming" target="_blank">programação neurolinguística</a> avançam nas primeiras páginas com a interpretação dos movimentos dos olhos de acordo com o raciocínio que as pessoas fazem. por exemplo, se as pessoas estão a processar memórias tendem a olhar para a esquerda. se estão a produzir, no entanto, tendem a olhar para a direita. isto varia de pessoa para pessoa, mas é o mais comum entre destros, tendo eu próprio verificado o oposto para esquerdinos. os sinais são tão poderosos que muitas vezes nem sequer seguem o discurso, que é falso. não seria a primeira vez que uma pessoa me conta uma história e refere, por exemplo, a existência de outras 2 pessoas mas, enquanto o diz, levanta 3 dedos. podendo significar outra coisa (a inclusão de si próprio), confrontamos o locutor com a incoerência e acabamos por descobrir que de facto havia mais 3. como não se tratam de ciências exactas, ainda cabe a pessoas com excelentes capacidades de observação tirar o melhor partido das circunstâncias.</p>
<p>subtilidades à parte, o trabalho de um medium é muito fácil, pois uma afirmação correcta com conteúdo emocional resulta em demonstrações fortes do indivíduo. o trabalho de anne germain em particular é muito fraco, metódico, e probabilístico. a fórmula de introdução é sempre a mesma, e começa por não arriscar muito sobre quem se encontra presente.</p>
<blockquote><p>por exemplo, na presença de um casal desolado é seguro arriscar que a morte tenha sido de um filho, mas leva o seu tempo até admitir se é rapaz ou rapariga, e fá-lo com base nas reacções (diferenciadas) dos progenitores.</p>
<p>também pode a meio descobrir que afinal era pai, mas aí o discurso que usou vai talvez permitir-lhe admitir que o(a) filho(a) é a pessoa em causa, e não o espírito!</p>
<p>em alternativa pode esquecer por completo o fracasso e procurar outra coisa diferente. vi isto numa leitura onde começa por dizer que vem o pai ou avô de uma senhora de meia idade. a morte de uma destas pessoas, ou ambas, é altamente provável, mas vista a completa ignorância da senhora, passa logo a dizer que esse senhor traz com ele um espírito mais jovem, com o qual continua a conversa, e nunca mais se fala no idoso que queria ser o primeiro a falar, mas nada disse.</p></blockquote>
<p>não só as introduções e as despedidas são sempre as mesmas, mas o discurso também nunca é revelador e extemamente repetitivo. a série acaba por ser um entretenimento (exactamente onde a tvi categoriza o programa, também) de mau gosto e péssima performance. como a coisa ainda é nova em portugal, passa incólume&#8230; se procuram entretenimento deste género procurem pelo material de derren brown que, tirando alguns momentos de marketing, sempre foi &#8220;honesto acerca da sua desonestidade&#8221;!</p>
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		<title>bolha aviária</title>
		<link>http://bugflux.org/blog/1310:bolha-aviaria/</link>
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		<pubDate>Wed, 21 Jul 2010 09:52:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>nDray</dc:creator>
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		<description><![CDATA[na versão televisiva desta notícia, dizia o jornalista que outras entidades, em particular na wall street, estariam interessadas em adquirir o animal, apesar de a sua esperança de vida não ultrapassar um ano. ao longo do episódio de south park &#8230; <a href="http://bugflux.org/blog/1310:bolha-aviaria/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>na versão televisiva desta <a title="polvo paul vale 100 mil dólares @ sic.sapo.pt" href="http://sic.sapo.pt/online/noticias/desporto/Sociedade+de+apostas+russa+quer+comprar+Paul+o+polvo+por+100+mil+dolares.htm" target="_blank">notícia</a>, dizia o jornalista que outras entidades, em particular na <a title="financial district @ wikipedia.org" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Financial_District,_Manhattan" target="_blank">wall street</a>, estariam interessadas em adquirir o animal, apesar de a sua esperança de vida não ultrapassar um ano.</p>
<p><span id="more-1310"></span>ao longo do <a title="margaritaville @ southparkstudios.com" href="http://www.southparkstudios.com/episodes/220760/" target="_blank">episódio</a> de south park emitido em 25 de março de 2009, stan tenta devolver uma misturadora que o pai comprou com um plano de pagamentos. como a loja não trata da dívida gerada com o plano, stan tem que se dirigir junto da companhia financeira responsável para obter a devolução.</p>
<p>acontece que o economista não pode devolver o dinheiro. o que ele faz é simplesmente convencer pessoas sem dinheiro a comprar uma misturadora, empacota as dívidas numa grande, e são os investidores em wall street que tratam delas.</p>
<p>uma vez em wall street, stan descobre que ainda não pode recuperar o seu dinheiro pois os investidores separaram o grande pacote em valores que pudessem vender aos bancos. no entanto os bancos também não podem fazer a devolução pois, uma vez que muita gente foi aos bancos à procura do retorno das misturadoras, o governo teve de comprar os valores aos bancos, para que não falissem.</p>
<p>então stan dirige-se ao departamento do tesouro. ali explica a situação, e dizem-lhe de imediato que não há problema, apenas precisam de consultar as tabelas para ver o valor que que lhe devem devolver. de regresso de uma sala, ensanguentados, os funcionários anunciam o valor de investimento no total de 90 trilhões de dólares (biliões, no nosso sistema).</p>
<p>entretanto surge uma emergência com uma companhia de serguros prestes a falir, e os funcionários têm de ir lá dentro verificar os gráficos para ver o que fazer. stan entra e espreita: solta-se uma galinha decapitada, onde cair é a jogada mais prudente:</p>
<p><a href="http://bugflux.org/wp/wp-content/uploads/2010/07/southpark1.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1312" title="southpark" src="http://bugflux.org/wp/wp-content/uploads/2010/07/southpark1.jpg" alt="" width="650" height="374" /></a></p>
<p>metáfora: galinhas<br />
realidade: polvos</p>
<p>humm&#8230; doesn&#8217;t seem that different, to me!</p>
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		<title>ignorância, fonte de bem estar</title>
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		<pubDate>Mon, 21 Jun 2010 20:58:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>nDray</dc:creator>
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		<description><![CDATA[quantos de nós se apercebem das manobras sociais de que somos vítimas diaramente? um quinto da população portuguesa tem facebook. mais de metade da população islandesa também. quem é que ia gostar do facebook se recebesse um &#8220;dislike&#8221; numa coisa &#8230; <a href="http://bugflux.org/blog/1064:ignorancia-fonte-de-bem-estar/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>quantos de nós se apercebem das manobras sociais de que somos vítimas diaramente? um quinto da população portuguesa tem <a title="facebook.com" href="http://www.facebook.com/" target="_blank">facebook</a>. mais de metade da população islandesa também. quem é que ia gostar do facebook se recebesse um &#8220;dislike&#8221; numa coisa que partilhasse? claro que o botão não existe, era o fim da rede&#8230;</p>
<p>ninguém me tira da cabeça o <a title="mybrute.com" href="http://www.mybrute.com/" target="_blank">my brute</a>, tamanhas as conversas que tive de aturar durante os almoços&#8230; quem é que voltaria a um site onde via o seu boneco levar porrada todos os dias? eu continuo a apostar que mais de metade dos adversários eram aleatórios do sistema, feitos só para levar na boca e deixar as pessoas felizes, para que voltassem.</p>
<p>mas e o preço a pagar pela lucidez?</p>
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		<title>os extremos tocam-se?</title>
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		<pubDate>Wed, 07 Apr 2010 15:33:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>nDray</dc:creator>
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		<description><![CDATA[nem para a porrada, pois isto nem sequer precisa de resposta!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>nem para a porrada, pois <a title="gooooood gorning bloco de esquerda aveiro... @ aveirolx.blogspot.com" href="http://aveirolx.blogspot.com/2010/04/gooooood-morning-bloco-de-esquerda.html" target="_blank">isto</a> nem sequer precisa de resposta!</p>
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		<title>penso, logo exausto</title>
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		<pubDate>Wed, 31 Mar 2010 13:24:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>nDray</dc:creator>
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		<description><![CDATA[quem não pensa também não cansa, e o que mais irrita no argumento teísta é que é sempre baseado em premissas que não podem servir de ponto de partida! senão toma lá (e mesmo este é válido!): ﻿&#8221;Deus criou o &#8230; <a href="http://bugflux.org/blog/1047:penso-logo-exausto/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>quem não pensa também não cansa, e o que mais irrita no <a title="deus precisa dos homens @ recortes.pt" href="http://www.recortes.pt/V/DiarioAveiro/principal/2010/03/31/?r=1527,8133,1475" target="_blank">argumento teísta</a> é que é sempre baseado em premissas que não podem servir de ponto de partida! senão toma lá (e mesmo este é válido!): ﻿&#8221;Deus criou o homem à sua imagem; criou-o à imagem de Deus, criou o homem e a mulher.﻿ &#8221; Génesis I, 27. Portanto Deus  pode ser Gay.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>estéril aos 30</title>
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		<pubDate>Sun, 21 Mar 2010 23:45:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>nDray</dc:creator>
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		<description><![CDATA[os créditos passam e os estudantes, especialmente do sexo feminino, vêm os seus amigos, que se ficaram pelo secundário, com um trabalho das 9 às 5, um ou dois filhos, uma vida estável. não é fácil ver o tempo correr &#8230; <a href="http://bugflux.org/blog/1042:esteril-aos-30/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>os créditos passam e os estudantes, especialmente do sexo feminino, vêm os seus amigos, que se ficaram pelo secundário, com um trabalho das 9 às 5, um ou dois filhos, uma vida <em>estável</em>. não é fácil ver o tempo correr e as hormonas a fervilhar, ainda longe da meta dos 30. 30 porque os estudos só acabam por volta dos 25, mais 5 para iniciar uma carreira, e então sim, é preciso dar o passo decisivo: pessoal ou profissional? ambos os grupos se contemplam com pesar!<br />
<span id="more-1042"></span><br />
o esquema actual da sociedade, particularmente portuguesa, formata nos adolescentes esta necessidade de opção. não é possível ter filhos aos 20 e tirar um curso, ou projectar uma carreira e constituir família: o mercado não permite! e a entrevista de emprego não descarta o &#8220;tem namorad@?&#8221;, ou o &#8220;está a pensar ter filhos?&#8221;.</p>
<p>sucessivas autarquias/governações vangloriam-se de incentivos à natalidade como contas poupança jovem para os recém nascidos. não me levem a mal, isto são boas medidas (formatadas pela negativa): uma pessoa termina os estudos (às vezes nem tanto) e está automaticamente endividada: é preciso um carro porque não há transporte público e é preciso uma casa porque habitação social é um bicho que mina o mercado imobiliário. mas esta medida não resolve nenhum problema, nem natal, nem social.</p>
<p>o verdadeiro incentivo à natalidade implica uma disponibilidade permanente dos pais (ou mães!) nos primeiros anos de vida da criança. o parto só pode ter sucesso com licensas a tempo inteiro de pelo menos dois anos para ambos os progenitores seguidos de alguma espécie de de licensa que permita a prática da &#8220;função parental&#8221;. a educação, o crescimento e o futuro não se compram; as gerações futuras não podem ser formatadas por uma escola ou um &#8220;centro de formação de bebés para os primeiros passos&#8221;.</p>
<p>a primeira palavra das crianças deve continuar a ser mamã/papá, mas isso não deve impedir uma carreira profissional saudável. a igualdade passa pelo direito, do homem e da mulher, à realização em todos os aspectos do seu ser.</p>
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		<title>um futuro delicioso</title>
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		<pubDate>Mon, 01 Mar 2010 13:55:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>nDray</dc:creator>
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		<description><![CDATA[passado que foi um óptimo fim de semana em lisboa regresso a aveiro a tentar intensificar a frequência das sestas neste início de semana, apesar de ser eu o único a ressonar lá na pousada. de ouvidos n@s deputad@s, professor@s, &#8230; <a href="http://bugflux.org/blog/1026:um-futuro-delicioso/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>passado que foi um óptimo fim de semana em lisboa regresso a aveiro a tentar intensificar a frequência das sestas neste início de semana, apesar de ser eu o único a ressonar lá na pousada.<br />
<span id="more-1026"></span><br />
de ouvidos n@s deputad@s, professor@s, dirigentes, etc, trago para o norte uma ideia daquilo que poderia ser <a title="o que fará um governo de esquerda socialista @ cultra.pt" href="http://cultra.pt/conteudos.php?id=106" target="_blank">um governo de esquerda socialista</a>. em muitos painéis, apesar da sempre boa disposição e exposição dos intervinientes confesso não ter ficado muito convencido com a matéria, uma vez que houve discussão mais técnica do que política. um governo de esquerda socialista que defendo implica ruptura em muitos sistemas actuais, não apenas alteração de organigramas, prazos, etc.</p>
<p>o painel com sala mais composta foi sem dúvida o da economia, com a exposição de francisco louçã que, pelo tempo limitado, se viu obrigado a falar de economia propriamente dita, aceitando o risco de que eu não percebesse muito do que ali foi dito.</p>
<p>o painel mais contestado, pelo menos na minha cabeça, terá sido o das políticas de igualdade. não concordo totalmente com a discussão desenvolvida, e mesmo algumas mulheres (leia-se género oprimido falado no painel) concordam comigo. sistemas de quotas na política; incentivos para empresas na contratação de mulheres, ou o caso inverso noutros sectores; etc. na minha perspectiva estas políticas são promotoras da discriminação. política da igualidade deixa de fazer sentido na minha cabeça assim que se fala em igualdade de género. política de igualdade, em bom rigor, passa por aceitar a diferença. pode parecer contraditório, mas não o é! é preciso ter muito cuidado a fazer estatísticas sobre taxas de (des)empregabilidade entre homens e mulheres; ou estatísticas sobre as diferenças salariais, etc. digo isto porque homens e mulheres são diferentes, na sua constituição biológica e mental, e a mesma diferença pode ser encontrada entre pessoas do mesmo sexo. daí a diferença. não se pode falar em igualdade de género, pode-se falar em individualidade, que determina a aptidão e o gosto de cada pessoa por determinada área de trabalho. só por este exemplo, não posso acusar as mulheres de participar na política, acho que é uma decisão que a elas cabe, e assim em todas as matérias. assim, e a meu ver, as políticas de igualdade consistem no combate à discriminação, na denúncia e na acusação; na promoção da confiança e coragem de qualquer oprimido, pois desigualdade de tratamento ocorre mesmo em igualdade de géneros, culturas, raças, etc.</p>
<p>o painel mais entusiasmante foi, sem dúvida, e quem lá estava concorda comigo, o da educação. adorei ver uma exposição crítica daquilo que é a escola e daquilo que se poderá querer da escola no futuro (em detrimento de uma discussão acerca dos problemas das carreiras dos professores, esse tipo de coisas meramente técnicas a que me referi anteriormente (que também precisam de resolução, não se descure)). adorei ouvir da boca de antónio nóvoa ideias de escola de futuro que vão ao encontro de teses de modelos de avaliação e de aprendizagem defendidos por daniel pink em a <a title="a whole new mind @ danpink.com" href="http://www.danpink.com/whole-new-mind" target="_blank">whole new mind</a>. esta exposição exige sem qualquer dúvida a maior discussão e o maior desafio para gerações futuras, não cabe num painel de hora e meia nem num post de um blog. mas, em palavras curtas, este modelo de educação, que cresceu com base na formação de jovens em essências da língua e da aritmética, até aos dias de hoje, com responsabilidades na formação completa de cidadãos, está aos olhos da esquerda como um modelo falhado, sobrecarregado, ou simplesmente desadequado para o panorama social. agrada-me simplesmente ver que a esquerda se mostra disponível a arriscar e experimentar neste campo; e não vejo outra via. já desde o livro de daniel pink aceitei que a educação, a forma como se encara a escola, precisa de uma reformulação enorme, utópica (das que acabam por vir, mas fazem confusão a muitos conservadores), e gostei de ver literatura portuguesa a acreditar nisto, num pequeno livro não publicado de antónio nóvoa; empresto ambos a quem quiser.</p>
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		<title>há moelas, tremoços, cavalos e agentes</title>
		<link>http://bugflux.org/blog/1021:ha-moelas-tremocos-cavalos-e-agentes/</link>
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		<pubDate>Fri, 26 Feb 2010 09:58:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>nDray</dc:creator>
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		<description><![CDATA[bem&#8230; o google desta vez falhou, para mim&#8230; há uns dias, talvez semanas, vi algo na televisão (só vejo ao fim de semana) que gostava de partilhar, mas não encontro links. o que eu vi na televisão, nomeadamente na sic, &#8230; <a href="http://bugflux.org/blog/1021:ha-moelas-tremocos-cavalos-e-agentes/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>bem&#8230; o google desta vez falhou, para mim&#8230;</p>
<p>há uns dias, talvez semanas, vi algo na televisão (só vejo ao fim de semana) que gostava de partilhar, mas não encontro links. o que eu vi na televisão, nomeadamente na sic, em rodapé, foi algo que tinha a ver com &#8220;gnr&#8221; e evento com norte-americanos. eu pensei que se referiam à banda, mas nem gnr nem guns n&#8217; roses, era mesmo a guarda nacional republicana. mais tarde, com imagens, percebi que o relacionamento tinha a ver com o empréstimo das instalações e cavalos para produção de fotografia de uma modelo. bem, as fotos da modelo não encontrei, tenho pena, mas os cavalos da gnr é que parecem ter a imagem à venda.</p>
<p>mas isto não é nada, isto foi só o pretexto para eu escrever, porque uma semana antes dessa notícia eu tinha aprendido no &#8220;<a title="nós por cá @ sic.sapo.pt" href="http://sic.sapo.pt/online/noticias/programas/nos+por+ca/" target="_blank">nós por cá</a>&#8221; o insólito serviço que a gnr presta de parar o trânsito para questionários ou coisas semelhantes, a qualquer entidade que o pretenda, pela módica quantia de 24€ por agente por dia destacado para o serviço&#8230; também isto não consegui comprovar por meios próprios através da internet, mas reparo na produção do <a title="gnr.pt" href="http://www.gnr.pt/" target="_blank">site da gnr</a>, como muitos outros institucionais portugueses, pela fraca navegabilidade e aspecto caseiro.</p>
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