o socialismo do ps é muito difícil de compreender, mas à medida que se vai prestando atenção vai-se percebendo qualquer coisa. joão dias, deputado municipal de aveiro pelo bloco de esquerda, denunciou o executivo de trazer uma proposta de orçamento irrisória para a acção social, prevendo uma despesa que totaliza apenas 1,81% do investimento para 2010, sendo que a quase totalidade é destinada ao apoio instituições particulares de solidariedade social. colocou-se em causa a capacidade destas instituições, pois o próprio joão dias encaminhou pessoalmente um indivíduo sem abrigo a uma delas, que estaria sem disponibilidade para o ajudar.
o sr joão barbosa, presidente da junta de freguesia de vera cruz, muito inteligente lá do seu alto, achou a história muito interessante e questionou, em tom de resposta, o que fez o bloquista, após a constatação de que não havia lugar para mais gente naquele espaço. ora a pergunta é pertinente, mas a resposta é muito mais interessante de esclarecer. joão barbosa, ao acusar joão dias de ter ficado de mãos atadas, acabou por acusar o seu partido, intitulado socialista. o que o partido socialista pretende é responsabilizar a classe média e outros pobres de ajudar os desprotegidos enquanto o seu governo distribui incentivos e isenções fiscais por empresas internacionais com lucros na ordem dos milhões.
e mesmo nas assembleias de freguesia é possível encontrar discussão política, pois o ps na freguesia da glória, pela voz de francisco gamelas, não está tanto interessado em saber se o investimento em acção social é suficiente, mas sim em saber quais são os critérios de actuação e se não seria pertinente exigir alguma actividade em troca desses apoios. mais uma vez percebe-se que para este partido os desempregados devem assumir a responsabilidade de o serem e darem à sociedade algo em troca da sua simples existência (já pouco) digna.