é incalculável o esforço necessário para explicar o comportamento da mente humana. cheguei agora da feira do livro e chamou-me a atenção não muito mais do que o predictably irrational. não o trouxe porque caí (novamente) no erro de ir ver ao ebay/amazon se conseguia encontrar mais barato (e) na língua original.
às vezes resulta beber um copo a mais ou simplesmente esquecer tudo o que rodeia, correndo o risco de fazer figuras tristes, ou quem sabe de lançar um povo inteiro. eu tenho a confessar que me revelo mais interessante e central num grupo quando me encontro ligeiramente alcoolizado porque, muito sinceramente, e desculpem-me os mais próximos, quando estou sóbrio não tenho paciência nenhuma para os protocolos sociais. o alcoolismo enaltece as nossas qualidades e a mim revela que no fundo, contrariamente ao que eu próprio acredito, racionalmente, não sou antissocial. ou então fico ainda mais bonito, com um copo a mais.
às vezes resulta a psicologia inversa. esta experiência eu posso confirmar com conhecimento de causa, de certa forma. a primeira vez que eu me apaixonei já estava a entrar na puberdade, mas a primeira vez que eu tive um relacionamento sério foi uma experiência completamente nova: após vários amores negados de parte a parte surge uma pessoa que tem tudo o que é preciso para se querer por perto uma vida inteira. a certa altura alguém me disse que se eu me fosse um verdadeiro amigo para ela, algo de especial surgiria entre nós. acontece que eu queria realmente ser um verdadeiro amigo, mas já tinha passado da fase colorida quando me apercebi de que estávamos demasiado próximos para não tentar… (infelizmente não durou muito, e bem me disse a minha avó, que não há amor como o primeiro. logo se vê!) há menos tempo, história parecida… hoje: possibilidades semelhantes.
a coisa bonita de ignorar o outro não é o disfarce de fruto proibído, é o teste de nos sentirmos bem com nós próprios e reinar sozinhos o nosso mundo de emoções.


