… dos preços da gasolina está para ser travada nos próximos dias 1, 2 e 3 de junho. pelo menos é o que pensa a maioria dos meus contactos de e-mail…
eu questiono-me profundamente sobre o efeito do boicote ao consumo de combustíveis… apesar de ser uma iniciativa interessante, há que pesar as consequências.
a verdade é que as consequências não serão senão nulas, eu acredito. as situações são as seguintes:
situação 1: as empresas precisam de continuar a introduzir e distribuir no mercado os seus produtos, processo que está escandalosamente dependente dos combustíveis.
consequência 1: não haverá boicote da sua parte.
situação 2: os trabalhadores e cidadãos em geral que abdicam de abastecer nos grandes postos nos dias 1, 2 e 3.
consequência 2: e optarão por fazê-lo nos dias 4, 5, e 6.
situação 3: os trabalhadores e cidadãos em geral abdicam do seu veículo pessoal e começam a usar os transportes públicos.
consequência 3: damo-nos conta de que afinal vivemos numa sociedade constiduida por população com elevado défice de responsabilidade social, ambiental e económica, mas até que valeu a pena!
situação geral: os promotores do boicote fazem-se ouvir dizendo que o boicote é à galp, bp e repsol, “os grandes”.
consequência geral: chegamos à conclusão que as petrolíferas menos conhecidas afinal não trazem o petróleo dos seus quintais.
o problema que é necessário combater aqui não é o da subida do preço dos combustíveis. o que é preciso combater é a especulação desenfriada que, além das energias, afecta já a produção alimentar, e se alastrará num curto período a toda a prestação de necessidades básicas. esta realidade é permitida todos os dias com a entrega das administrações às mãos de privados e com a liberalização e desregulamentação dos mercados.
os postos de combustíveis não têm grande mão no aumento do preço do petróleo, e para a atenuação de custos há poucas coisas a fazer:
coisa 1: baixar o isp. os preços descem, já que 60% do que pagamos de combustível cai no poço do estado.
consequência 1: enquanto o isp baixa, as petrolíferas inflacionam os preços pois terão a garantia de aumentar os lucros sem que haja redução da procura.
coisa 2: reconhecer que existe uma crise, em primeiro lugar. em segundo, reconhecer que a crise é para todos, e não apenas para o consumidor. assimilado este conceito, é preciso impedir que, à medida que o consumidor perde poder de compra e qualidade de vida, a evolução dos administradores da crise se dê no sentido inverso.
consequência 2: a crise continua, e fica ainda por atacar a fonte do problema.
coisa 3: melhorar a oferta de meios de deslocação públicos, fazendo com que sejam mais convenientes e mais suportáveis pela população em geral.
coisa 4: tomar consciência de que os combustíveis fósseis, por mais abundantes que sejam, não são produzidos por ninguém, muito menos em tempo de vida útil. interessa assmi promover a geração de energia a partir de outras fontes, preferencialmente renováveis e, mais importante, limpas, e de forma generalizada, e não em centros regionais com grande fragilidade e instabilidade política, económica e social.
consequência 3 e 4: tratam-se de apostas que, a curto prazo, não atenuam a crise.
é esta a minha ideia sobre a crise actual, e acredito que a solução não está no ataque directo aos peões. é preciso criar uma nova organização terrorista capaz de atacar os problemas no seu foco e informar o mundo da questão que só tem tendência a piorar. não só nesta área, é necessário impôr limites à liberalização dos mercados internacionais, coisa que parece muito complicada de alcançar com os ideiais políticos defendidos hoje.