hoje vi o último episódio de californication. comecei há uns dias, e é uma série fantástica, muito inspiradora. esta semana foi extremamente aborrecida, e sou um bocado susceptível nesta situação, mas alguém que viu mais do que uns episódios e não conseguiu ver além da fornicação é certamente alguém livre de problemas, crítica, emoções. hank moody, o escritor, é um poço de ódio-próprio cujo pior vício são as mulheres, além do álcool e o tabaco.
os autores, e o autor, fazem um óptimo trabalho a projectar os seus sentimentos mais profundos e a sua personalidade. do modo como o fazem, no entanto, facilmente se esquece o mal que traz aos que mais ama, e que acabam sempre do lado dele. o modo como o fazem transparece o seu perfeito descontrolo pelas suas acções, o que justifica o seu ódio e nos provoca também a solidariedade com a personagem. karen é uma mártir. apesar de não serem casados, amam-se incontrolavelmente. apesar de não o fazer por mal, a dificuldade de hank em definir um objectivo na vida traz sofrimento intermitente sobre karen, o que resulta numa impossibilidade de ficarem juntos por períodos longos. ambos inteligentes, com potencial, mantêm becca em comum, que é a verdadeira fonte de sabedoria na família, apesar de uma adolescência assolada pela incompatibilidade dos pais.
é verdadeiramente uma família de merda, mas o modo como é mostrado faz qualquer um desejar pertencer à história, trocar as nossos simples dias pelos seus momentos complicados, pois cada episódio mostra sofrimento duro, mas esconde o verdadeiro sentido da vida, amor.
entretanto continua pendente o primeiro mergulho deste verão, uma queda livre para um banho de emoções.