os créditos passam e os estudantes, especialmente do sexo feminino, vêm os seus amigos, que se ficaram pelo secundário, com um trabalho das 9 às 5, um ou dois filhos, uma vida estável. não é fácil ver o tempo correr e as hormonas a fervilhar, ainda longe da meta dos 30. 30 porque os estudos só acabam por volta dos 25, mais 5 para iniciar uma carreira, e então sim, é preciso dar o passo decisivo: pessoal ou profissional? ambos os grupos se contemplam com pesar!
o esquema actual da sociedade, particularmente portuguesa, formata nos adolescentes esta necessidade de opção. não é possível ter filhos aos 20 e tirar um curso, ou projectar uma carreira e constituir família: o mercado não permite! e a entrevista de emprego não descarta o “tem namorad@?”, ou o “está a pensar ter filhos?”.
sucessivas autarquias/governações vangloriam-se de incentivos à natalidade como contas poupança jovem para os recém nascidos. não me levem a mal, isto são boas medidas (formatadas pela negativa): uma pessoa termina os estudos (às vezes nem tanto) e está automaticamente endividada: é preciso um carro porque não há transporte público e é preciso uma casa porque habitação social é um bicho que mina o mercado imobiliário. mas esta medida não resolve nenhum problema, nem natal, nem social.
o verdadeiro incentivo à natalidade implica uma disponibilidade permanente dos pais (ou mães!) nos primeiros anos de vida da criança. o parto só pode ter sucesso com licensas a tempo inteiro de pelo menos dois anos para ambos os progenitores seguidos de alguma espécie de de licensa que permita a prática da “função parental”. a educação, o crescimento e o futuro não se compram; as gerações futuras não podem ser formatadas por uma escola ou um “centro de formação de bebés para os primeiros passos”.
a primeira palavra das crianças deve continuar a ser mamã/papá, mas isso não deve impedir uma carreira profissional saudável. a igualdade passa pelo direito, do homem e da mulher, à realização em todos os aspectos do seu ser.