um futuro delicioso

passado que foi um óptimo fim de semana em lisboa regresso a aveiro a tentar intensificar a frequência das sestas neste início de semana, apesar de ser eu o único a ressonar lá na pousada.

de ouvidos n@s deputad@s, professor@s, dirigentes, etc, trago para o norte uma ideia daquilo que poderia ser um governo de esquerda socialista. em muitos painéis, apesar da sempre boa disposição e exposição dos intervinientes confesso não ter ficado muito convencido com a matéria, uma vez que houve discussão mais técnica do que política. um governo de esquerda socialista que defendo implica ruptura em muitos sistemas actuais, não apenas alteração de organigramas, prazos, etc.

o painel com sala mais composta foi sem dúvida o da economia, com a exposição de francisco louçã que, pelo tempo limitado, se viu obrigado a falar de economia propriamente dita, aceitando o risco de que eu não percebesse muito do que ali foi dito.

o painel mais contestado, pelo menos na minha cabeça, terá sido o das políticas de igualdade. não concordo totalmente com a discussão desenvolvida, e mesmo algumas mulheres (leia-se género oprimido falado no painel) concordam comigo. sistemas de quotas na política; incentivos para empresas na contratação de mulheres, ou o caso inverso noutros sectores; etc. na minha perspectiva estas políticas são promotoras da discriminação. política da igualidade deixa de fazer sentido na minha cabeça assim que se fala em igualdade de género. política de igualdade, em bom rigor, passa por aceitar a diferença. pode parecer contraditório, mas não o é! é preciso ter muito cuidado a fazer estatísticas sobre taxas de (des)empregabilidade entre homens e mulheres; ou estatísticas sobre as diferenças salariais, etc. digo isto porque homens e mulheres são diferentes, na sua constituição biológica e mental, e a mesma diferença pode ser encontrada entre pessoas do mesmo sexo. daí a diferença. não se pode falar em igualdade de género, pode-se falar em individualidade, que determina a aptidão e o gosto de cada pessoa por determinada área de trabalho. só por este exemplo, não posso acusar as mulheres de participar na política, acho que é uma decisão que a elas cabe, e assim em todas as matérias. assim, e a meu ver, as políticas de igualdade consistem no combate à discriminação, na denúncia e na acusação; na promoção da confiança e coragem de qualquer oprimido, pois desigualdade de tratamento ocorre mesmo em igualdade de géneros, culturas, raças, etc.

o painel mais entusiasmante foi, sem dúvida, e quem lá estava concorda comigo, o da educação. adorei ver uma exposição crítica daquilo que é a escola e daquilo que se poderá querer da escola no futuro (em detrimento de uma discussão acerca dos problemas das carreiras dos professores, esse tipo de coisas meramente técnicas a que me referi anteriormente (que também precisam de resolução, não se descure)). adorei ouvir da boca de antónio nóvoa ideias de escola de futuro que vão ao encontro de teses de modelos de avaliação e de aprendizagem defendidos por daniel pink em a whole new mind. esta exposição exige sem qualquer dúvida a maior discussão e o maior desafio para gerações futuras, não cabe num painel de hora e meia nem num post de um blog. mas, em palavras curtas, este modelo de educação, que cresceu com base na formação de jovens em essências da língua e da aritmética, até aos dias de hoje, com responsabilidades na formação completa de cidadãos, está aos olhos da esquerda como um modelo falhado, sobrecarregado, ou simplesmente desadequado para o panorama social. agrada-me simplesmente ver que a esquerda se mostra disponível a arriscar e experimentar neste campo; e não vejo outra via. já desde o livro de daniel pink aceitei que a educação, a forma como se encara a escola, precisa de uma reformulação enorme, utópica (das que acabam por vir, mas fazem confusão a muitos conservadores), e gostei de ver literatura portuguesa a acreditar nisto, num pequeno livro não publicado de antónio nóvoa; empresto ambos a quem quiser.

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